Provérbios Populares
A literatura popular desta região transmontana é muito rica, sendo inúmeros os provérbios utilizados por estas gentes nas mais variadas actividades do seu dia-a-dia. Eis alguns exemplos (in literatura popular de Trás-os-Montes e Alto Douro, de Joaquim Alves Ferreira, volume IV, 1999):
• Janeiro molhado não é bom para o pão, mas é bom para o gado;
• Água de Fevereiro enche o celeiro;
• Enxame de Março apanha-o no regaço;
• Em Abril, águas mil, coadas por um mandil;
• Maio hortelão: muita palha e pouco grão;
• Junho chuvoso: ano perigoso;
• A água corre sempre para o mais baixo;
• Água fervida tem mão na vida;
• Água sem cor, sem cheiro e sem sabor;
• Se queres o velho menino, dá-lhe doce e vinho;
• Ao meio da sopa, lava-se a boca;
• Pão com olhos, queijo sem olhos e vinho que salte os olhos;
• Vinho e linho só são frios um bocadinho;
• O caldo é para os pobres;
• Quem come bem um dia não passa mal todo o ano;
• Quem comeu não “ouga”;
• Não custa jejuar depois de bem jantar;
• Merenda comida, companhia desfeita;
• Se não queres engordar, come e bebe devagar;
• Guardado está o bocado para quem o há-de comer;
• Pão de centeio, melhor no ventre do que no seio;
• Com pão e vinho, anda caminho;
• Quem quer o filho ladrão tira-lhe o pão;
• Fraca é a mesa que não deixa migalhas;
• Quem em Maio não merenda à morte se encomenda;
• A ceia quer-se sem sal, sem luz, e sem moscas;
• Se és velho e comilão, prepara o teu caixão;
• Não comas cru nem andes com o pé nu;
• Pão quente: nem a são nem a doente;
• Quem com águas se cura pouco dura;
• Onde sobeja a água, falta a saúde;
• Vinho turvo, figos verdes e pão quente são inimigos da gente;
• Se tens casa húmida, abre conta na botica;
• Favas, Maio as traz, Maio as leva;
• Ano de figo temporão, ano de pão;
• Tinha um figo para dar ao meu amigo, mas vi-o, comi-o;
• São mais as nozes do que as vozes;
• Muita parra e pouca uva;
• Circo na lua: chuva na rua;
• Natal à lareira: Páscoa na soalheira;
• Março chuvoso: São João farinhoso;
• Arco-da-velha por água espera;
• Primeiro dia de Janeiro: primeiro dia de Verão;
• Manhã de névoa: tarde de sesta;
• Homem, barca; mulher, arca;
• De homem para homem, não há diferença de boi;
• Homem ruivo e mulher barbuda, de longe os saúda;
• Acautela-te do homem que não fala e do cão que não ladra;
• Homem pequeno, coração ao pé da boca;
• Homem magro, não de fome, é diabo, não é homem;
• Quanto mais roto, mais garoto;
• O homem que em novo não trabalha, em velho dorme na palha;
• Pelo são João deve o milho cobrir o cão;
• Ande por onde andar o Verão há-de vir pelo são João;
• Nas têmporas de são Mateus, pede bom tempo a Deus;
• Pró São Simão, semear sim, navegar não;
• Santa Luzia não quer neve. São Gonçalo não a pede;
• No Advento, racham as pedras com o vento;
• No Natal, tem o alho bico de pardal;
• Chuva no São João bebe o vinho e come o pão;
• Folga o pão debaixo do nevão;
Cantar das Janeiras
Uma outra tradição secular que ainda se mantêm bem viva em Cerdedo é o cantar das Janeiras. Desta forma, depois do Natal e até ao final do mês de Janeiro, grupos de homens, mulheres, jovens e crianças costumam cantar de porta em porta, para anunciar o nascimento do Menino;
“inda agora aqui cheguei,
Mal pus o pé nesta escada,
Logo o meu coração disse
Qu’aqui mora gente
Honrada.
Avante, pastores,
Corramos a Belém,
Adorar o Deus Menino
E à sua Mãe.”
Quem diremos nós que viva,
No ramo da salsa crua,
Viv’à menina da casa
Qu’alumia toda a rua.
Quem diremos nós que viva,
No pêlo do cobertor,
Viv’ó menino da casa
Quanda a estudar para doutor.
Quem diremos nós que viva,
Nós não queremos ficar mal,
Vivam os patrões desta casa,
Vivam todos em geral”.
Antigamente, no final da cantoria, os donos da casa abam a porta e ofereciam fumeiro, nozes, castanhas e vinho ao grupo. Ainda hoje, tal como acontecia em décadas anteriores, quando uma porta não se abre, todos dizem:
“Esta casa cheira a unto;
morreu aqui algum defunto”.
Sueca
A Sueca é um jogo para quatro jogadores, dois contra dois, com os parceiros sentados opostamente. O baralho tem somente 40 cartas, sendo removidas do baralho padrão os 8s, 9s, 10s. A origem das cartas em cada naipe, de cima para baixo, é: ás, 7, rei, valete, rainha, 6, 5, 4, 3, 2.
Assim como a posição lata do sete, deve notar-se que o valete vale mais que a rainha, o que talvez se justifique pelo facto de, no antigo baralho português, as figuras serem o rei, o cavaleiro e a dama, sendo a figura feminina menor.
Na Sueca o objectivo é ganhar cartas que valem pontos. As cartas valem: ás=11 pontos; sete=10 pontos; rei=4 pontos; valete=3 pontos; rainha=2 pontos; 6, 5, 4, 3, 2= 0 pontos. Há 120 pontos somados no baralho.
O jogador que começa foi aquele que cortou o baralho. Os outros jogadores devem seguir o naipe jogado pelo primeiro jogador. O jogador que não tiver cartas do naipe puxado pode jogar cartas de qualquer outro naipe, incluindo o trunfo. A carta mais alta do naipe, ou o trunfo mais alto, ganha a rodada. O jogador que ganhou puxa o primeiro naipe.
Se algum jogador mentir sobre a ausência de algum naipe na sua mão e for descoberto estará a “renunciar” ao jogo. Então a dupla oponente ganha o jogo automaticamente.
Malha
A Malha deve jogar-se à distância oficial de vinte e cinco metros, as equipas são sorteadas quinze minutos antes do início do jogo e começa o jogo a equipa que perdeu a anterior. Cada jogo terminará logo que estiverem concluídas três partidas.
Relativamente à pontuação, distribui-se da seguinte forma: após cada derrube de pinoco são contados seis pontos; após quatro lançamentos, contam-se três pontos para a equipa que tiver a malha mais próxima do pinoco; de cada vez que se vencer uma partida, obtém-se três pontos.
Antigamente, as mãos habilidosas das senhoras desta freguesia do concelho de Boticas confeccionavam de forma exímia, rendas, mas com o passar dos anos e com o desinteresse dos mais jovens, esta tradição artesanal foi caindo no esquecimento.
Cerdedo tem uma deliciosa gastronomia, sendo os seus pratos mais característicos o Cozido à Barrosã e os Enchidos.
Cozido à Barrosâ
Ingredientes:
- Enchidos: chouriço de cabaço, chouriça de carne.
- Sangueira (sangue, carne, farinha)
- Vitela
- Galo caseiro
- Cenoura
- Couve
- Batata
- Orelheira fumada
- Pé de porco fumado
- Nabo
- Sal
Linguiças
Ingredientes
- 5 Kg de carne (febra magra e gorda)
- 10 Dentes de alho
- 3 L de vinho
- 1 L de água
- 2 folhas de louro
- 2 laranjas
- 100 g de colorau
- 1 malagueta
- pimenta em pó
- sal
Preparação
Corta-se a carne aos bocados, para um alguidar de barro. Tempera-se com o sal, os dentes de alho, o vinho, a água, o louro, a malagueta, as laranjas cortadas aos bocados com casca, o pimentão e o colorau. Envolve-se tudo e alisa-se a superfície. Mexe-se todos os dias, com uma colher de pau, e no fim de 8 dias, enchem-se as tripas do porco, deixando de lado as rodelas da laranja. Aperta-se então a massa para ligar e pica-se com uma agulha para que possa sair o ar. O processo de atar é igual ao dos outros enchidos. Depois passam-se por água e vão ao fumeiro durante cerca de 10 dias.
Antes de encher, as tripas são lavadas, esfregadas com limões e água ardente, ficando assim temperadas de um dia para o outro.
Festa de São Sebastião
Realiza-se a 20 de Janeiro, em Cerdedo.
Festa e romaria de Nossa Senhora do Monte
Sempre com data fixa, a 8 de Setembro, a festa/romaria da Senhora do Monte atrai numerosos populares, da própria Freguesia claro está, mas também muitos outros das freguesias limítrofes de Alturas do Barroso, Dornelas e Vila da Ponte (concelho de Montalegre), de localidades mais afastadas como Lavradas, Carreira da Lebre e muita gente já da própria Vila de boticas, sendo i local da festa conhecido como parque de merendas e lazer.
A festa propriamente dita consiste numa missa seguida de procissão que muita emoção acarreta dado os fiéis confiarem a esta Santa as suas maiores aflições e preces mais íntimas.
Pontualmente existem outras festas em honra de outros santos, sem data fixa, dependendo de promessas ou da boa vontade de quem as organiza.